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Entre o direito e a justiça

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(texto por Carol Macedo, editora de Mais Marimbondo)

“Todo protesto é uma luta. Todo protesto já diz que algo está em disputa. Todo protesto é também uma luta simbólica. E é nesse embate de violência simbólica que os corpos se atiram às ruas em busca de conquistar o território dos corações e mentes. Quando clamam por um “protesto pacífico” se clama contra qualquer sentido de que se tem algo em disputa, o sentido próprio do protesto é esvaziado. Não somos carneiros. Não somos uma boiada. Não somos Golem ou autômatos. A polícia reage fisicamente porque não tem capacidade simbólica. A violência imaginária da TV cria os “manifestantes radicais” ou os “punks” como bode expiatório. Não existe protesto pacífico. Existe, no máximo, protesto sem violência física. E parem de querer transformar nossos protestos em um conto de fadas.”  Pedro Kalil

 

Às 13h do dia 17 de junho, milhares de pessoas – chegando a reunir 50 mil – iniciaram o trajeto à pé de quase dez quilômetros saindo da Praça 7, no Centro de Belo Horizonte, rumo ao Mineirão, na Região da Pampulha. Lá, às 16h, seria realizado o jogo entre as seleções da Nigéria e Taiti, pela Copa da Confederações. Durante o percurso, que incluiu o viaduto Hansen de Araújo, as passarelas do Complexo da Lagoinha e a Avenida Antônio Carlos, a multidão de manifestantes foi acompanhada pela Polícia Militar. Entre a pluralidade de reivindicações, presente em cartazes e gritos, estava também o próprio direito à manifestação [quatro dias antes, o desembargador Barros Levenhagen, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, havia acatado o pedido do Governo de Minas de proibir "todo e qualquer manifestante" de fazer greves e protestos que "embarguem as vias de acesso ao Mineirão e de todo o seu entorno, bem assim às demais regiões e logradouros públicos situados no território estadual". No dia 19, entretanto, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar liberando as manifestações nas ruas de todas as cidades de Minas Gerais ] .

Da Avenida Abraão Caran – que dá acesso ao estádio – em diante o acesso foi impedido. “Daqui pra lá é território da FIFA”, disse um policial que não portava placa de identificação.

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“Há muito se diz que um dia a violência policial presente nos rincões e na periferia atingiria as principais ruas da cidade. O contraste disso seria o vislumbre de quando o morro desceria sem ser carnaval. Neste caso, ainda não foi essencialmente o morro, mas a população, de uma maneira geral, que veio reivindicar o espaço que sempre foi de direito do comum: a rua. Tornou-se óbvio que, ao mesmo tempo em que a rua é uma disputa de lugar simbólica é, também, uma disputa de lugar e de espaço físico. O simbólico não engole e transforma totalmente o empírico. A polícia deixou óbvio que ela não trabalha para a população, mas para obstruí-la, obstruir o comum e deixar passar somente a exceção.” Pedro Kalil

As fotos de Patrick Arley mostram o comum querendo tomar, justamente, o espaço da exceção. Como boas fotografias, elas nos dão a sensação de ter estado ali, o que é amplificado, obrigatoriamente, por esse retrato do comum tomando e sendo expulso de um espaço que se tornou de exceção.

“Democracia é barulho. Quem gosta de silêncio prefere ditaduras.” (Vladimir Safatle)

 

Foto: Patrick Arley

Foto: Patrick Arley

Foto: Patrick Arley

Foto: Patrick Arley

Foto: Patrick Arley

Foto: Patrick Arley

Foto: Patrick Arley

Foto: Patrick Arley

Foto: Patrick Arley

Foto: Patrick Arley

Foto: Patrick Arley

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Foto: Patrick Arley

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Patrick Arley Patrick Arley (1 Posts)

Patrick é antropólogo e fotógrafo. Aqui, outro ensaio dele em Mais Marimbondo: http://bit.ly/11BXan0


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